Há quinze anos, a ação do PCC que parou São Paulo ontem não teria 30% do efeito. Com acesso à web e munida de celulares, a população se encarregou de potencializar a coisa ao propagar o terror numa rapidez assustadora.
Meu messenger não parou desde cedo. Parentes, amigos e conhecidos reportando a carnificina. Ouvi várias histórias sobre granadas, metralhadoras, chacinas e ameaças terroristas da pior espécie (e confesso, envergonhado, que também passei adiante algumas das informações que recebi e que, agora, vejo que eram falsas). Aliás, 90% das ações criminosas propagadas não passavam de boatos.
O pânico se espalhou de maneira tão histérica e veloz que o expediente em toda a cidade acabou logo depois do almoço, causando um congestionamento gigantesco e perigoso (já imaginou um ataque real no meio de um trânsito desses?).
Mas será que havia como evitar tamanho estrago? Talvez não, mas acho que dava pra minimizar o problema. A cobertura feita pelos principais veículos de comunicação com cobertura em tempo real (basicamente, rádio, tv e web) foi pífia. Em lugar de um esforço para desmentir boatos descabidos, o Uol e o Terra (e não só eles) repetiam as fofocas e divulgavam a escalação da seleção brasileira (!).
As poucas exceções, como a Folha Online (e nem sou fã deles), infelizmente não tinham abrangência para causar algum efeito.
De Pam Anderson e Paris Hilton ao terror do PCC, passando por Katilce, o que fica disso é o potencial de propagação em progressão geométrica de qualquer fato, verdadeiro ou não. Sinal dos tempos.
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